Arquivo

Arquivo da Categoria ‘duelos homem-máquina’

Como não ser enganado no xadrez online

30, Junho, 2009 pmfonseca Nenhum comentário

News2_5Nos dias de hoje e com o advento da internet, é possível a qualquer hora do dia encontrar um parceiro para uma partida de xadrez.
Porém o facto de não estarmos fisicamente em frente ao tabuleiro permite que muitas vezes surja a dúvida sobre se o nosso oponente é leal ou está a fazer batota.
Da minha experiência consegui chegar a alguns factos (existe muito pouca informação sobre estes factos alegando que a divulgar qualquer tipo de factos dará vantagens a quem deseje ser desonesto) e deles extraí um certo número de regras a ter em conta de modo a minimizar o risco de estarmos a jogar contra um computador.

Facto:
- Se utilizarmos um programa cliente para jogar xadrez, este detecta se existe um motor de xadrez a correr na máquina.
- O tempo de resposta nos lances não é constante ao longo de uma partida
- Os motores de xadrez têm uma predileção por vantagem de material

Regras:
- Utilizar servidores de xadrez que disponibilizem programas de interface, em vez de jogarmos directamente na página, deste modo o programa detectará a utilização de motores de xadrez activos na máquina e informará os responsáveis do servidor. Provavelmente perderás a partida, mas ao fim de alguns jogos esse jogador será notificado.
- Se o oponente quiser fazer batota com um programa de xadrez, necessitará de um equipamento extra para correr o programa ‘batoteiro’, e terá de duplicar todos os lances (na máquina ligada ao servidor e no equipamento adicional), pelo que por vezes demorará mais tempo do que o normal para efectuar os lances básicos, por exemplo os 3 ou 4 primeiros lances de uma abertura normalíssima, ou seja não é ‘normal’ que o nosso adversário demore o mesmo tempo a efectuar o 2ºlance da Espanhola, como o 6º.
- Optar por jogar partidas rápidas com desconhecidos. É muito difícil coordenar os lances em dois programas diferentes numa partida rápida.
- Em caso de dúvida ‘largar’ uma peça que não se insira na linha de jogo escolhida pelo adversário
- Ao procurar adversários, limitar o ELO a um valor semelhante ao nosso. Por norma os ‘batoteiros’ querem ganhar a quem tem muito ELO, e também eles sobem bastante de ELO. Com a limitação estamos a colocar de fora de potenciais ‘falsos jogadores’.
- Por vezes, (e sem incomodar) tentar conversar um pouco com o oponente. Isto atrapalha a dita rotina de trabalhar nos dois computadores. Algumas vezes funciona apelar ao ego do batoteiro, dizendo por exemplo, que aquele lance do bispo foi muito bom (quando na realidade não foi) e deste modo apercebemo-nos se ele sabe o que fez ou não.

Estas são algumas dicas para evitar ser enganado ao jogar xadrez online. De qualquer modo deixo a minha opinião:
Qual o problema de jogarmos com alguém que tem um computador a ajudar, desde que a partida seja uma boa partida?

Lembro que um jogador auxiliado com um computador é um jogador ‘superior’ a nós, e quantas vezes teremos a hipótese de jogar contra um Mestre? Provavelmente nenhuma, ou poucas, porque ele se fartará de jogar com um azelha!!!

Categories: duelos homem-máquina Tags:

Deep Fritz 10 – Kramnik,V (2750) [D10]

16, Junho, 2009 pmfonseca Nenhum comentário

game1-06
“Serão as máquinas capazes de pensar?”

Desde o aparecimento dos computadores que programadores, cientistas e comunidade informática em geral se debatem com esta questão.

E entre os vários desafios colocados à disposição, o xadrez é encarado como a mosca drosófila (a vulgar mosca da fruta, que devido à simplicidade do seu organismo, à sua fácil reprodução, e ao seu tamanho é muito utilizada em experiências laboratoriais) da Cibernética.

O xadrez tem regras simples e precisas, tarefas e objectivos claros. Simultaneamente, é complicado e exige grande concentração intelectual. Assim, o xadrez representa um modelo ideal que pode vir a ser aplicado noutras aplicações da Inteligência Artificial. (Xadrez e Computadores, Ivegueni Guik).

Os confrontos Homem-máquina, não são mais do que o pôr à prova, de todas as experiências feitas em laboratório. Por isso, não é de estranhar que muitos destes confrontos sejam tão ou mais acompanhados pela comunidade científica, do que pelos próprios xadrezistas.

No meu caso pessoal, gosto de acompanhar estes confrontos, seja pela vertente informática, quer pela xadrezística.

De qualquer modo, estes confrontos não servem para concluir se as máquinas pensam ou não. Apenas se são capazes de jogar contra humanos excepcionais.

Como iremos ver na seguinte partida, Kramnik comete um erro que nunca uma máquina cometeria. Este facto não desprestigia o GM, apenas revela que por detrás de uma aparência fria e calculista, existe um ser humano que pensa, e que por isso, também erra.

Essa partida é o Jogo 2 do duelo Kramnik-Deep Fritz que ocorreu a 27 de Novembro de 2006.

Deep Fritz 10 – Kramnik,V (2750) [D10]
Man vs Machine Bonn, Germany (2), 27.11.2006
1.d4 d5 2.c4 dxc4 3.e4 b5 4.a4 c6 5.Nc3 b4 6.Na2 Nf6 7.e5 Nd5 8.Bxc4 e6 9.Nf3 a5 10.Bg5 Qb6 11.Nc1 Ba6 12.Qe2 h6 13.Be3 Bxc4 14.Qxc4 Nd7 15.Nb3 Be7 16.Rc1 0-0 17.0-0 Rfc8 18.Qe2 c5 19.Nfd2 Qc6 20.Qh5 Qxa4 21.Nxc5 Nxc5 22.dxc5 Nxe3 23.fxe3 Bxc5 24.Qxf7+ Kh8 25.Qf3 Rf8 26.Qe4 Qd7 27.Nb3 Bb6 28.Rfd1 Qf7 29.Rf1 Qa7 30.Rxf8+ Rxf8 31.Nd4 a4 32.Nxe6 Bxe3+ 33.Kh1 Bxc1 34.Nxf8. 34…Kg8 35.Ng6 Bxb2 36.Qd5+ Kh7 37.Nf8+ Kh8 38.Ng6+ estão empatados. Mas Kramnik joga 34…Qe3??

diag2-01
35.Qh7# 1-0.

Clique aqui para visualizar a partida.

Daqui gostaria de concluir que quando uma máquina estiver dotada de raciocínio, e que por falha do raciocínio (e não de um algoritmo qualquer) em circustâncias não reproduzíveis, esteja sujeita ao erro, então aí sim, talvez ela pensará.

Categories: duelos homem-máquina Tags: ,